Quando times
nivelados entram em campo, o placar é
decidido nos detalhes, certo? Pois a
Asus levou a sério essa máxima na
hora de planejar a tática para seu novo
netbook, o
Eee PC 1008HA Seashell, e acabou
marcando vários golaços. Tirando esse
negócio de conchinha do mar, que é uma
grande balela de marketing (ou você acha
essa máquina parecida com a casa de um
molusco?), a fabricante merece todos os
elogios pelo design. E não estamos
falando apenas do acabamento sofisticado
em branco brilhante, mas também do
teclado confortável e das ótimas ideias
para tornar as conexões compactas,
prezando pela finura do brinquedo.
Enquanto o
Eee PC 1000H arrebenta no
desempenho, mas fica devendo um design
melhorzinho, o
S101 é um exagero de tão classudo,
numa categoria bem sucedida por causa do
preço baixo. Então o negócio foi mais ou
menos juntar os dois atributos no
1008HA. Com a dieta de emagrecimento, o
laptop perdeu 400 gramas em relação aos
modelos mais grosseiros e baratos com
tela de 10,1 polegadas. Com um quilo
redondo na balança, ele entra no que
podemos chamar de terceira geração dos
minilaptops, fazendo companhia aos
modelos
HP Mini 1120br e
Dell Inspiron Mini 9.
O pouco peso é um grande mérito, mas a
espessura é o que mais impressiona. São
apenas 2,5 centímetros de corpo,
empatando com o elogiado – por nós,
inclusive –
netbook da
HP. São vários os responsáveis por
essa evolução, a começar pela bateria
feita com polímero. Esse tipo de
componente pode ser empacotado em
qualquer formato, deixando os designers
mais livres para suas criações malucas.
Para você ter uma noção, o belíssimo
Dell Adamo também usa uma bateria
assim.
Alguns truques da
Asus fizeram a máquina perder mais
preciosos milímetros. Primeiramente, o
corpo é mais fino nas extremidades, daí
o nome Seashell. E como ainda não
inventaram miniaturas para todas as
conexões, a fabricante deu seu jeitinho.
A interface de rede fica escondida atrás
de uma porta, que se abre quando você
precisa usá-la. Outra boa sacada foi
colocar uma mini VGA como saída de
vídeo. Porém, em vez de vender um
adaptador separadamente, como faz a
HP, a
Asus colocou um fio escondido na
parte de baixo do
netbook.
O teclado não veio
parar na segunda página deste review por
demérito. Muito pelo contrário – é que
precisávamos de um espaço maior para
falar de suas novidades. Ele não é tão
grande quanto o encontrado no
Mini 1120br, mas é dos mais
confortáveis. Ele nem cresceu tanto em
relação aos
Eee PCs mais antigos de 10,1
polegadas, mas ganhou correções em
problemas sérios de usabilidade. A tecla
Shift da direita, por exemplo, tem um
tamanho decente até para dedos
estabanados. E agora os botões ocupam
todo o espaço disponível na base,
melhorando sua disposição.
A versão da máquina testada por nós é um
produto final, do jeito que ela virá
para o Brasil, mas com teclado em
inglês. Quando for para as lojas
brasileiras, no próximo mês, o
netbook terá cedilhas e acentos em
seus devidos lugares. Tomara que ele
venha também com todas as funções
interessantes disponíveis aqui, com
sequências de teclas que facilitam muito
a vida. Dê uma olhada em algumas delas:
Fn + F9: é um jeito mais fácil de chamar
o famoso Ctrl + Alt + Del.
Fn + F8: quando você tem um
monitor extra ligado ao
notebook, o comando permite alternar
entre ele e a tela principal.
Fn + F7: apaga o display, mas não deixa
a máquina hibernando. Serve para quando
você estiver ouvindo música, por
exemplo.
Fn + Barra de espaço: seleciona o perfil
de bateria, entre modo econômico e alta
performance.
Se o teclado é cheio de coisas legais, o
touchpad não deixa por menos. Ele é
bastante sensível, mesmo sem ficar numa
área de baixo relevo. Para
identificá-lo, existem apenas bolinhas
formando um retângulo. A única
reclamação vai para o botão único, que
aceita cliques nos dois lados. Por causa
disso ele é um pouco duro e impreciso. O
ideal seria colocar dois botões mesmo.
No
quesito desempenho, o
netbook não fica devendo em nada
para os concorrentes. Ou seja, se vira
bem nas tarefas do dia a dia, como
navegar pela internet e usar um
processador de textos. O micro teve um
dos melhores resultados nos testes com
cálculos aritméticos do Sandra Lite,
fazendo 3 743 MOPS. Existem,
basicamente, dois responsáveis por isso:
o processador Intel Atom N280, com 1,7
GHz (é a primeira máquina com esse chip
que passou pelo INFOLAB) e o barramento
de 667 MHz, compatível com a memória de
1 GB no padrão DDR2. Para completar o
conjunto, o disco rígido é de 160 GB.
Nossa única decepção com essa máquina
foi em relação à conectividade,
sacrificada em nome do design fininho. O
netbook possui apenas duas portas
USB e não vem com um modem
3G embutido. Além disso, a porta de
rede poderia ser Gigabit Ethernet. Por
outro lado, o
Wi-Fi é no padrão 802.11n e o
Bluetooth é 2.1. Todas as interfaces
ficam bem localizadas e protegidas com
tampas de boa qualidade – são de
plástico, nada daquelas borrachas
molengas e difíceis de colocar no lugar.
A bateria de polímero, além de deixar a
máquina fina e leve, também ajuda muito
na autonomia. Em nossos testes, ela
aguentou firme por mais de três horas,
um dos melhores resultados já obtidos
aqui no INFOLAB. O minilaptop só perde
para seu irmão mais pobre, o
Eee PC 1000H, que suportou sete
minutos a mais, uma diferença irrisória.
A única reclamação vai para a
dificuldade de acesso à bateria, uma
característica negativa desse tipo de
componente. Quando estragar, só uma
assistência técnica vai conseguir fazer
a troca.
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