Para o Milestone, batizado nos Estados Unidos como Droid, a fabricante dispensou aquela interface MotoBlur, que integra todos os contatos das redes sociais e permite dar umas tuitadas diretamente na tela inicial. Aqui a Motorola preferiu apostar no Android como ele é – isso deixa o modelo mais careta, porém menos caótico. O público do produto é claramente um usuário corporativo, que trabalha com o smartphone, mas também faz dele um instrumento de lazer.
Com a versão nova do sistema, o aparelho tem integração com o Microsoft Exchange, recurso fundamental para ganhar terreno dentro das empresas. Dá para juntar todos os contatos de trabalho com os pessoais, vindos diretamente do Google. Mas é possível deixar tudo separado, para quem não quiser ouvir falar de trabalho fora do expediente. Também dá para importar informações do Facebook, por meio de um aplicativo dedicado à rede social, que já vem instalado.
As ferramentas do Android 2.0 melhoraram muito a usabilidade do sistema. No Milestone, o browser ganhou um novo jeito de visualizar favoritos, seguindo o estilo do Opera e do Chrome, com pequenos quadrados representando as páginas. O navegador também suporta HTML 5 e está claramente mais rápido do que o visto nos primeiros aparelhos com Android. O conjunto de hardware forte (com processador Cortex A8, de 550 MHz) e programa redondo faz do smartphone um dos mais velozes da atualidade.
A
maior novidade do sistema, infelizmente,
nós não pudemos testar. É que o recurso
de indicações curva-a-curva, inserido no
Google Maps, ainda não está disponível
no Brasil. Mesmo assim, deu para notar
outras evoluções do aplicativo, que
ganhou informações de trânsito em tempo
real. O programa Motonav, com locução da
rota, também vem instalado, mas precisa
de um microSD com os mapas brasileiros
para funcionar.
Um programa da
Motorola, chamado Phone Portal,
permite ao
smartphone conectar-se ao desktop
por meio de uma rede
Wi-Fi. Basta acioná-lo e digitar no
browser do computador o número de IP que
aparece no
celular. Aí é possível editar
contatos, fazer backup, mostrar fotos do
Milestone numa tela maior e selecionar
ringtones. Ou seja, na maioria das
operações, você nem precisa usar o cabo
USB.
Embora o teclado do Motorola Milestone seja uma verdadeira mão na roda em várias situações, não ficamos impressionados com ele. Suas teclas não possuem alto relevo e ficam muito próximas umas das outras, dificultando a vida de quem precisa digitar rápido. Os botões são confortáveis, porém nesse aspecto o Dext é melhor. O direcional é grande e ajuda a navegar, mas poderia ser excluído para deixar as letras maiores.
Um
botão que melhorou bastante a
usabilidade do
Android foi o de busca, localizado
ao lado de outros três touchscreen, logo
abaixo da tela. Ele funciona de formas
diferentes, dependendo do aplicativo:
pode fazer buscas no YouTube, abrir a
barra de endereços no navegador ou então
procurar programas e arquivos dentro do
celular por palavras-chave, quando
você estiver na página principal.
Os outros controles são os tradicionais
botões Menu, Home e Voltar. Existem
apenas dois botões físicos laterais, que
servem para aumentar e diminuir o volume
e acionar a câmera. Sentimos falta de
uma tecla para abrir o menu de ligação,
que pode ser acionado somente pela tela.
Na lateral, fica uma porta microUSB,
usada para carregar a bateria e
transmitir dados. Na parte de cima, fica
um conector de 3,5 milímetros, para
fones de ouvido.
A tela enorme do Milestone obviamente traz prejuízos ao design. Além de pesar 169 gramas, o aparelho mede 11,5 centímetros de altura, ficando um pouco desconfortável no bolso. Seu tamanho é quase o de um iPhone, porém um pouco mais largo, com 6 centímetros. A parte impressionante é como a Motorola conseguiu colocar um teclado físico num aparelho tão fino, com 1,8 centímetro de espessura. O acabamento, que mistura borracha e metal, está acima de qualquer suspeita.
A maior
limitação de hardware do modelo está
mesmo na parte de dentro. Sua memória
interna é pequena, com apenas 512 MB.
Por isso, é possível que o sistema fique
mais lento quando o
smartphone estiver cheio de
programas. O outro problema do
celular é que a tela fica toda
melecada com impressões digitais só de
você pensar em tocá-la. O
iPhone 3GS, por exemplo, tem uma
camada especial por cima do LCD para
evitar isso.
A câmera de 5 megapixels tem zoom de 4
vezes, foco automático e um flash forte
de LED. Em nossos testes, ela tirou
fotos boas, mas foi um pouco lenta.
Agora, uma grande decepção que tivemos
foi em relação à bateria do Milestone.
Com chamadas de voz, ela durou apenas
397 minutos, enquanto o
Dext havia aguentado 610 minutos
longe da tomada.








