A preferência por
refeições muito salgadas pode
aumentar os riscos de desenvolver
câncer de estômago, segundo pesquisa
sul-coreana publicada no American
Journal of Clinical Nutrition.
Avaliando mais de 2,2 milhões de
coreanos com idades entre 30 e 80
anos, os pesquisadores descobriram
que uma dieta rica em sal pode
aumentar em 10% as chances de
desenvolver a doença. No estudo, os
9.620 homens e as 2.773 mulheres que
tiveram a doença tinham, mais
frequentemente, maior preferência
por uma alimentação mais salgada.
De acordo com o
oncologista Al B. Benson,
especialista em câncer gástrico que
não participou da pesquisa, a forma
como o sal é consumido pode ser
importante nos riscos da doença.
Como exemplo, ele cita um estudo
japonês que mostrou que o sódio em
forma de sal de mesa aumentaria os
riscos de doenças cardíacas, mas não
de câncer; enquanto os alimentos já
salgados, como o peixe processado
(incluindo o bacalhau), estariam
associados com o câncer de estômago,
mas não a problemas
cardiovasculares.
“As implicações é
que, em áreas onde o sal é usado
como forma de preservar os
alimentos, há um maior risco. Essa
relação poderia fazer sentido para
países asiáticos e a Europa
Oriental, incluindo a Rússia em
particular, onde a salga dos
alimentos tem sido um dos pilares da
dieta”, explicou o especialista. Ele
destacou, ainda, que as taxas de
câncer gástrico têm caído na Coreia
do Sul - apesar de permanecerem mais
altas do que nos Estados Unidos -
principalmente por causa das
mudanças na dieta e nos métodos de
preservação dos alimentos, com o uso
da refrigeração. E esse mesmo
declínio ocorreu nos EUA há décadas,
por causa de diversos fatores.
Apesar desse
declínio, os especialistas da
Sociedade Americana do Câncer
recomendam evitar o consumo
excessivo de sal. “Não está claro
que a redução do consumo de sal
reduziria significativamente o risco
de câncer gástrico na população
americana. De qualquer forma, as
diretrizes do governo dos EUA
recomendam evitar a ingestão
excessiva de sal com o objetivo de
reduzir a pressão alta”, explicou a
especialista em nutrição
epidemiológica Marji McCullough. E
os especialistas alertam que os
emigrantes de países cujas taxas de
câncer de estômago são maiores,
especialmente os asiáticos, devem
tomar cuidados especiais na
alimentação, para reduzir esses
riscos.
Fonte:
American Journal of Clinical
Nutrition. 10 de março de
2010.