Em
sua primeira experiência com o
Android, a
Dell concebeu um
smartphone simples de tudo no visual
e carregou o
Mini 3 com todas as ferramentas
exigidas de um modelo topo de linha,
como
3G,
Wi-Fi e
GPS. Mas cometeu uma série de
bobagens ao personalizar o sistema
operacional. Deixar o
Android Market fora da jogada foi a
pior delas. O resultado é um aparelho
prático de usar, mas carrancudo e sem
metade das opções de diversão que as
outras dezenas de
celulares com o software do Google
oferecem. Vendido somente pela Claro,
ele custa 1.219 reais, no plano de 120
minutos.
Todo mundo elogia a interface padrão do
Android, mas a
Dell fez reforma geral no sistema
para torná-lo mais simples. Em vez de
usar múltiplas telas iniciais e um menu
com programas, o aparelho exibe os
atalhos diretamente na home page, assim
como o
iPhone. Na maioria dos casos, basta
um clique para abrir qualquer
ferramenta. Na parte de cima da tela,
existem ainda quatro botões fixos, que
dão acesso ao teclado numérico, ao
editor de torpedos, ao navegador e aos
links da Claro.
A escolha de encher a área de trabalho
com esses ícones, no entanto, matou um
dos pontos fortes do
Android: a personalização. É
impossível adicionar widgets, afetando
perfumarias, como o tradicional relógio
de ponteiro, e também coisas úteis, como
as ferramentas para atualizar redes
sociais sem abrir o navegador. De
fábrica, o celular vem com clientes para
Twitter e Facebook, mas eles são
bastante limitados. Um recurso
interessante é a possibilidade de
mostrar seus amigos aniversariantes na
tela principal. As informações vêm
diretamente do Facebook, quando o
usuário faz o login.
Em vez de usar a
infinidade de aplicativos disponíveis no
Android Market, o
Dell
Mini 3 trabalha com a loja da Claro,
acessível somente pelo navegador, no
portal da operadora. Tudo que é baixado
vai para o menu Caixa Mágica, com
separação entre as categorias jogo,
escritório e multimídia. Os games são
maioria entre os programas encontrados
por lá e, geralmente, custam cerca de 10
reais.
Se não quiser depender apenas da Claro,
o usuário pode procurar software em Java
na internet. Mas é difícil encontrar
algo que rode direito e caiba na tela de
3,5 polegadas. Não existem muitas opções
desenvolvidas especialmente para
Android, muito menos para o modelo
da
Dell. Se há uma vantagem na ausência
do Market, é a possibilidade de instalar
aplicativos no cartão de 2 GB. Assim, a
memória interna não fica lotada,
garantindo que o aparelho não ficará
mais lento com o passar do tempo.
Alguns programas previamente instalados
merecem destaque. O mais legal deles é o
editor de vídeos. Ele permite recortar
filmes, adicionar trilha sonora ou então
criar um clipe com fotos, música e
efeitos de transição. Também existe um
aplicativo de backup. Você pode copiar
para o cartão microSD contatos,
histórico de chamadas, e-mail e outras
informações armazenadas na memória do
smartphone. Para quem usa o Outlook
no trabalho, não há dificuldade em
sincronizar os dados via ActiveSync. E
os arquivos de escritório podem ser
abertos pelo Quickoffice.
A
tela do
Dell
Mini 3, capacitiva e multitoque, tem
boa sensibilidade e recursos como zoom
na galeria de fotos e no navegador,
quando o usuário faz um movimento de
pinça com dois dedos. Mas quem já usou
qualquer outro aparelho com
Android vai sentir alguma
dificuldade em pilotar os menus e
atalhos sem botões físicos de
direcional. A única forma de navegar é
mesmo utilizando a tela touchscreen,
dificultando o acesso a alguns ícones
pequenos.
Numa das laterais do telefone, existe um
botão para ligar e desligar, um para ir
à tela inicial e uma conexão miniUSB. Do
outro lado, há uma tecla para acessar a
câmera, uma para controlar volume e uma
para ligar os comandos de voz. A tampa
da bateria é de plástico, mas aparenta
ser bastante resistente. Abrindo-a, é
possível enxergar o cartão da operadora,
que fica bem localizado e pode ser
removido com facilidade.
O
smartphone pode não ganhar prêmios
de design, mas agrada pela simplicidade.
As bordas pretas e largas dão ao
aparelho um ar de elegância. E a
espessura de apenas 1,2 centímetro é
ótima para quem costuma levar o celular
no bolso. Nossa reclamação mais
contundente vai para o fato de a tela
estar sempre engordurada – e não somente
ela, mas o hardware inteiro. Uma camada
protetora, ou então uma capinha
transparente, cairia muito bem.