
Ele é o enésimo
smartphone com sistema operacional
Android. Juntar
3G, tela multitoque e uma loja
repleta de aplicativos fáceis de
instalar virou obrigação. E seu design
não é nada de outro mundo. Por que então
o Nexus One merece tanta atenção (e
tantos elogios)? Ser o primeiro
smartphone com a marca
Google já é um motivo, mas a ótima
performance e o acabamento primoroso
justificam o entusiasmo em torno do
aparelho, que deve chegar ao Brasil no
segundo semestre. Nós antecipamos os
detalhes para você.
Usando o Nexus One durante uma semana de
testes no INFOLAB, percebemos que a
integração entre o hardware da
HTC e o sistema do
Google está afinada. O melhor
exemplo da sintonia é o recurso de
comandos de voz para preencher campos. A
captura e o processamento das frases são
rápidos e funcionam de forma competente
(apenas em inglês, por enquanto). Além
disso, em cada tarefa é possível notar
uma elegância difícil de encontrar em
qualquer outro aparelho, incluindo aí o
até então imbatível
iPhone.
Mais do que tudo isso, o
smartphone consegue a proeza de
colocar um sistema intuitivo e bonito,
cheio de novidades como galeria de fotos
em terceira dimensão, num aparelho com
desempenho impressionante. Ele chega a
assustar de tão rápido ao realizar
tarefas como girar a tela usando o
sensor de posição ou mesmo deslizar com
o dedo pelos menus. Confira, nas
próximas páginas, outros detalhes dos
testes com a versão vendida hoje nos
Estados Unidos, por 529 dólares, sem
plano de operadora.
Logo de cara, o mais
impressionante no
Google Nexus One é a sua tela de 3,7
polegadas com a tecnologia Amoled – que
proporciona cores vibrantes, ótima
distinção de movimentos e uma finura
jamais vista em dispositivos móveis. Por
isso, o aparelho tem apenas 1 centímetro
de espessura. O display tem ainda
resolução de 800 por 480 pixels. Para se
ter uma ideia, o
iPhone chega a 480 por 320 pixels.
Com nível de contraste acima da média, a
tela realça a interface do
Android 2.1, que traz efeitos em 3D
e cinco áreas de trabalho
personalizáveis. Tocando vídeos, no
entanto, o ajuste padrão de cor do
aparelho reproduziu imagens com um tom
avermelhado, reclamação comum dos
usuários nos fóruns de tecnologia
internacionais. Em outras atividades,
como exibir fotos, sites na internet e
conteúdos diversos, isso não incomodou.
O aparelho não tem teclado físico, mas
compensa a falta com reconhecimento de
comandos de voz, teclado virtual com
resposta tátil e botão de rolagem para
navegação. O ícone para acessar a função
de reconhecimento de frases está
espalhado nas janelas para envio de SMS,
na busca, no browser e em diversos
outros aplicativos. Basta gravar uma
frase e esperar que o
Android reconheça, e isso leva
poucos segundos.
Como todo sistema baseado em voz, o do
Nexus One também está longe de ser
perfeito. Mas é um dos melhores que já
vimos. Não raramente ele entende algo
diferente do que o usuário disse. Porém
tem a vantagem de nunca te deixar
falando sozinho, sem dar alguma
resposta.
É difícil encontrar
problemas no
Google Nexus One, mas ele tem
algumas pequenas desvantagens em relação
aos seus concorrentes diretos. A
principal delas é a falta de uma
superfície antigordura na tela, item
presente no
iPhone 3GS. O aparelho também fica
devendo a compatibilidade com o
calendário do Outlook e um player de
música mais bacana, com seleção de
discos e músicas por menus mais visuais.
Outro incômodo é a limitação de instalar
programas apenas na memória principal do
aparelho, restrita a 512 MB. O cartão
microSD de 4 GB serve apenas para
armazenar arquivos. O problema nem é a
falta de espaço, afinal um software para
Android costuma ter bem menos de 1
MB. Mas geralmente os aparelhos com o
sistema operacional ficam mais lentos
quando estão com muitas coisas
instaladas.
O fato é que o aclamado processador
Snapdragon, da Qualcomm, com frequência
de 1 GHz, parece ter resolvido esse
problema com maestria. Ele permite ao
Nexus One trabalhar com várias
aplicações ao mesmo tempo, sem engasgar.
Dá para rodar seus programas e ainda
usar os efeitos de animações do papel de
parede live wallpapers. Eles tomam o
fundo de tela como base para animações
que mudam as imagens de acordo com a
música tocada ou os toques escolhidos
pelo usuário.
A câmera de 5 megapixels do Nexus One
tem flash e zoom de duas vezes. Além de
fazer boas fotos, ela serve para
identificar pessoas, objetos e logotipos
por meio do aplicativo
Google Goggles, que funciona muito
bem. O último teste do INFOLAB também
trouxe um resultado satisfatório: a
autonomia do aparelho, durante chamadas
de voz, foi de 515 minutos, um dos
melhores resultados obtidos por nós em
aparelhos com
Android.
Com todos esses predicados, será que o
smartphone vai custar menos que
1.799 reais, valor pelo qual você o
encontra no MercadoLivre? Haja tempo de
contrato com a operadora para o
brinquedo caber no bolso. Nos Estados
Unidos, ele está saindo por 179 dólares,
no plano de dois anos.