O
smartphone mais badalado do ano
chega ao Brasil semana que vem com um
caminhão de novidades. Do processador
mais rápido às funções prosaicas do
iPhone 3GS, como “copiar e colar”, não
existe nada capaz de provocar um
hecatombe. Mas tudo junto representa uma
baita evolução quando o assunto é
usabilidade. Testamos a joia da
Apple em sua encarnação de 32 GB e
chegamos a uma conclusão: para quem
estava esperando sair um modelo
redondinho antes de resolver comprar,
aqui está ele. Mas, se você já tem a
versão
3G, atualize o sistema operacional e
seja feliz.
Sabe aquela tela melequenta, cheia de
impressões digitais? Ela ainda não foi
extinta, mas está quase lá. O novo
material usado pela
Apple é muito mais resistente à
oleosidade. Não fosse por esse detalhe,
o design seria idêntico ao do modelo
anterior. Agora, por dentro, quanta
diferença. Com o salto do chip para 600
MHz, o aparelho ficou sensivelmente mais
rápido em todas as atividades. Isso foi
notável em aplicações como o player de
música, o navegador e durante o próprio
boot – em 18 segundos ele já estava
ligado, enquanto o nosso
iPhone 3G demorou 25 segundos.
Entre os novos recursos, o mais
importante é o upgrade da câmera para
3,1 megapixels. Ela ganhou também
controles que melhoram o foco e as cores
das imagens clicadas. Mas o grosso das
atualizações está em funções já
existentes em vários
celulares básicos. Entre elas, estão
a possibilidade de mandar mensagens
multimídia, a gravação de voz e a
compatibilidade com fones Bluetooth
estéreo. Nas próximas páginas, você vê
essas e outras funções em detalhes (ah,
e se quiser relembrar algumas que já
existiam antes, como o imbatível player
de música, veja o
review do iPhone 3G).
A
câmera do iPhone 3GS está longe de ser
espetacular, mas ganhou upgrades
consideráveis. São três as mudanças mais
sensíveis: a resolução aumentou para 3,1
megapixels e a
Apple incluiu as funções de capturar
imagens em modo macro e o Tap to Focus
(em português, algo como Toque para
Focar). Para usar isso, basta apontar a
lente e escolher, com um toque na tela,
qual será a região focada. Ao mesmo
tempo, o aparelho ajusta balanço de
branco, cor, contraste e exposição.
A novidade faz uma grande diferença na
qualidade das imagens, principalmente
porque o foco automático dos
celulares costuma ser ruim. Se você
não tocar em nenhum ponto da tela, a
câmera vai tentar deixar a cena inteira
o mais nítida possível. Nos testes do
INFOLAB, tirando fotos da mesma cena com
os
iPhones 3G e 3GS, as cores das fotos
no novo modelo ficaram mais fieis. Os
ajustes automáticos fizeram efeito,
tanto na nitidez quanto na compensação
da iluminação em lugares escuros. Pois
é, ainda faltou um flash.
Finalmente o
smartphone da
Apple consegue gravar vídeos. E a
interface sensível ao toque traz algumas
facilidades para capturar e editar
imagens. Antes de clicar no botão de
gravação, você pode focar num ponto
específico. Porém, depois do disparo,
não é possível ajustar isso novamente,
enquanto você vai movendo o aparelho.
Depois de produzir um clipe, você pode
abri-lo e recortá-lo. Basta deixar o
dedo por alguns segundos no final da
linha do tempo, até que ela fique
amarela. Aí, é só escolher qual parte da
filmagem você deseja preservar.
Após a edição, dá para mandar o vídeo
para sua conta do YouTube, para um
endereço de e-mail ou então para outro
celular, via mensagem multimídia
(esta, uma nova função do sistema
operacional
iPhone 3.0). No caso do site de
vídeos, a conversão é rápida e, em
poucos segundos, o arquivo está no ar.
Já o MMS, com um clipe de nove segundos
em anexo, demorou pouco mais de um
minuto para sair do
celular, habilitado na rede da
Claro.
Felizmente, pouco mudou no player de
música. Isso porque não conseguimos
pensar em muitas coisas que podem
melhorar nessa função (tudo bem, poderia
ter rádio FM). A grande novidade é a
possibilidade de emparelhar com fones
Bluetooth estéreo, o que funcionou sem
nenhum problema em nossos testes. Para
encontrar o acessório, é só ir até o
ícone “Ajustes”, tocar na aba “Geral”,
ativar o Bluetooth e selecionar o
dispositivo. Um ícone localizado no
canto direito inferior alterna entre
fone e alto-falante.
Uma função que prova como a
Apple manda bem ao fazer coisas
simples de um jeito bonitinho é o
gravador de voz. Um ícone para essa
funcionalidade aparece logo na tela
principal, e o programa em si tem um
visual bem caprichado. Mas a melhor
parte é a qualidade do áudio capturado.
Você pode facilmente gravar podcasts,
por exemplo, e mandar as mensagens por
e-mail ou MMS. Só não existe um atalho
para fazer o upload do arquivo para
sites especializados.
Logo na tela principal do iPhone 3GS, existe um ícone para a bússola digital, que mostra sua latitude e longitude. O mais legal é que a ferramenta se integra ao Google Maps (para ativá-la, basta tocar no quadrado do canto esquerdo), deixando o mapa sempre apontado para o norte. Isso é particularmente interessante para quem não quiser investir num programa com indicações curva-a-curva.
Uma reclamação recorrente em todas as
versões do
iPhone é sempre em relação à
qualidade das chamadas de voz. E aqui a
situação não melhorou muito. Durante as
conversas, o barulho do ambiente no
outro lado da linha é mais alto que o
normal e também há um eco perceptível.
Por outro lado, quando você liga de um
telefone fixo para o 3GS, a qualidade do
áudio é muito boa.
Uma novidade interessante é o controle
por voz para fazer ligações. Qualquer
celular simples tem isso, mas nenhum
funciona também com o player de música.
Em nossos testes, o recurso funcionou
bem, mas entendeu Racionais quando
pedimos para tocar um álbum dos
Raimundos e, algumas vezes, tentou fazer
ligações em vez de abrir uma música
pedida.
O comando funciona assim: basta segurar
o botão de menu por alguns segundos e
dizer coisas como “ligar para a Maria”,
“tocar disco do Capital Inicial” e “qual
música estou ouvindo agora?”. Uma voz
responde sua pergunta ou pede
confirmação para reproduzir um arquivo.
O telefone não errou nenhuma vez ao
dizer o nome da faixa, mas falou com
sotaque lusitano, quando o artista do
teste era brasileiro.
Quando desenvolveu o
iPhone 3G, a
Apple também pensou nos deficientes
visuais. O aplicativo Voice Over lê
absolutamente tudo o que está na tela,
quando um usuário toca em algum ícone.
Com um clique duplo, abre-se a opção
selecionada. E deslizando três dedos
sobre a tela, a página rola. Porém,
esses controles não são muito precisos,
levando-nos a crer que o
smartphone não é a melhor opção para
esse público.
Mesmo com todas essas novidades do
iPhone 3GS, algumas das coisas mais
úteis nesse upgrade da
Apple estão mesmo no sistema
operacional, que também pode ser
instalado nas versões
3G e Classic do aparelho. Em geral,
são coisas já presentes há muito tempo
em outros
celulares comuns ou avançados, como
a possibilidade de usar o telefone como
modem – infelizmente, a opção não estava
disponível no modelo testado por nós.
Mas os itens mais importantes talvez
sejam os voltados a melhorar a
produtividade. Deslizando com o dedo
para a direita, na tela principal,
aparece uma opção de busca interna (vale
para e-mails, contatos, entradas de
calendário e programas). Isso agiliza
muito o trabalho, principalmente porque
o
iPhone não permite organizar os
ícones por categoria ou em pastas. Para
a próxima versão, mais possibilidades de
personalização seriam bem-vindas.
Outra novidade importante é o teclado na
horizontal para quase todas as
aplicações, e não somente para o Safari,
como no
iPhone 3G. Digitar e-mails e
mensagens com as duas mãos melhora, e
muito, a usabilidade do aparelho. O
mesmo vale para as funções de copiar e
colar, que aparecem quando você
posiciona o dedo sobre uma palavra por
alguns segundos. Para desfazer essas
ações, basta chacoalhar o aparelho.
Se
ganhou um monte de recursos presentes em
celulares mais simples, o iPhone 3GS
ainda ficou devendo coisas que poderiam
estar no aparelho desde a primeira
geração. A bronca mais séria é em
relação à falta do suporte a tarefas
múltiplas. Se você estiver usando um
programa e precisar abrir outro, é
necessário fechar o primeiro antes. A
parte boa é que o aparelho não vai
ficando lento com o passar do dia, mas o
Palm Pre e qualquer modelo com
Symbian já resolveram isso.
Outra reclamação vai para o jeito como a
Apple corta a liberdade dos usuários
em coisas básicas. O iPhone 3GS poderia
muito bem ter mais opções de
personalização de layout, por exemplo.
Mas a maior chatice, sem dúvidas, é a
dependência do iTunes para a atualização
de conteúdo. Também seriam bem-vindos o
suporte a Flash no Safari e uma bateria
que pudesse ser trocada pelo próprio
dono do aparelho. A
Apple também poderia investir em
maneiras de aumentar a autonomia. O
smartphone aguentou 336 minutos, uma
marca apenas razoável, superando o
modelo
3G em 42 minutos.







